Terça-feira, Novembro 25, 2008
Terça-feira, Outubro 24, 2006
Espiral de Vivências
Só te conheci muito depois de te ter conhecido. Só reparei em ti muito depois de ter reparado em ti. Passaste a existir mesmo existindo há muito. A minha vida só começou quando comecei a viver. Mesmo as palavras, as tão simples palavras, nunca antes tinham sido ditas, até que tas sussurrei ao ouvido.
É preciso saber quando uma etapa chega ao fim. Terminando capítulos, fechando portas, encerrando ciclos, não importa o que seja desde que ela acabe finalmente e deixamos para trás momentos vivido que já não importam. Tão importante como o final é o conceito de princípio. A vida não é mais do que uma espiral de finais e começos.
Para te ter a ti, terminei muitos capítulos, fechei muitas portas, encerrei muitos ciclos. Para te conhecer, reparar em ti, na tua existência, na minha vida, deixei para trás tudo o que precisava de ser fechado. Olhei em frente e quis seguir viagem, contigo ao meu lado, para sempre.
Para te soltar estas palavras ao ouvido, sussurradas com carinho, amor, ternura. Para dizer que te amo e que és a minha vida.
Segunda-feira, Maio 08, 2006
Saudosismo
Se me perguntam porque gosto assim tanto do meu país, respondo que me sobra sempre um motivo. Gostarei sempre do meu país. Amá-lo-ei mesmo na sua nudez, nos seus vícios e nas coisas luminosas. Não esquecerei aquelas pequenas coisas que crescem dentro de nós e ocupam sempre um espaço, e que ficam lá para sempre, por muitas voltas que o mundo dê. Serei português com a moral e com o espírito, e com o sangue até de quem traz em si um verso, um cheiro a mar, um fruto da sua terra.
A Última Lágrima
Corro as escadas de par em par. Olho de relance para dentro do quarto. Não estás. Chamo pelo teu nome. Cai a minha primeira lágrima, fria e gelada. Porque sofro assim? Grito na esperança de poder apagar esta dor, nem que seja por apenas um momento. Esse reconforto escapa-me por entre os dedos, confuso e fugidio. Também tu me escapaste por entre os dedos. Sim, admito, tenho parte da culpa. Mas e então tu? Não eras tu que não vinhas quando chamava pelo teu nome naquelas noites em que o escuro me apertava e em que a solidão me oprimia e subjugava? Apodreci por dentro, desfiz-me em pedaços nas tuas mãos. És como sal, ácido corrosivo e mel doce. Ai que vontade de ser cobra e de me injectar com o próprio veneno. Mal consigo recuperar o fôlego. Tenho dificuldade em respirar este pó que paira no ar e que é o que resta de ti. E danço sozinho contigo. E dançamos os dois e levantamos este pó que és tu e que me sufoca. E ficamos assim por momentos, intimamente ligados por um nada que nos separa.
Deixo o pó assentar, saio de mansinho, desço as escadas calmamente, saio pela porta e cai a minha última lágrima por ti.
Sexta-feira, Janeiro 20, 2006
Mãos Frias, Coração Dormente
Peço-te, não apague a chama que brilha em ti e me aquece as mãos, o coração e a alma...
Quarta-feira, Janeiro 04, 2006
Pessoas como Tu
Há coisas que nunca poderei pôr em palavras, e por muito que diga ou escreva, há sempre coisas que permanecerão sempre dentro de ti e de mim. Que viverão em nós, no toque das nossas mãos, no calor dos nossos beijos, no aconchego do nosso abraço, quando encontro os teus olhos e tu os meus e o tempo pára ali, e só tu e eu existimos no mundo e pouco ou nada mais importa. Há coisas que viverão em nós, nas saudades que apertam no peito, apenas o suficiente, para lembrar que estão lá e que seria um pecado enorme esquecermo-nos delas sem saciar a fome e a sede dos reencontros. Há estes sopros no coração, suspiros apertados que nos rasgam sorrisos nos lábios como se há muito tempo não tivessem sido usados, que nos impelem a estarmos juntos, a comunicar, a enveredar por um caminho proibido e sem retorno.
Mas estás comigo, e eu estou bem.
Sexta-feira, Dezembro 16, 2005
Sono Reparador
Quando estava prestes a dissolver-se nesse sono sem princípio nem fim, recomeçaram a girar-se na cabeça pensamentos obscuros, gritos atravessando a noite, e também as vozes daqueles que ainda agora o continuam a chamar, baixinho, junto aos ouvidos.
A ideia de ficar ali, sozinho, abandonado na presença de tantos estranhos atormentava-lhe os espírito. Decidiu agarrar na almofada e comprimi-la em volta dos ouvidos. A sua vida prestes a entrar num subterrâneo sem fundo nem altura; nunca mais ele voltaria a ser igual a si mesmo.
Então abriu muito os olhos. Queria conhecer as sombras que se modelavam à sua volta. Queria compreender e amá-las. Amá-las com ódio e odiá-las com Amor, talvez. Arrepiado, voltou a fechar os olhos. E sorriu. Não pôde resistir as sombras.
E um sorriso assim doía mais do que a dor de estar vivo. Valia talvez um pranto ou um riso convulso. E ao sentir a boca torcer-se e fazer apelo a esse pranto, ele procurou suster as emoções dentro de si. Prometeu que nunca ia chorar sobre o passado e sobre as lágrimas. E que ia ser feliz.
Domingo, Dezembro 11, 2005
Sonhos de Criança
Agora que penso, lembro-me de tantas brincadeiras feitas na companhia da solidão, das conversas comigo mesmo, aprender a brincar sozinho, fazer o bom e o mau. Grande parte da minha personalidade vem daí, criei sonhos, criei carências. É claro que nunca me faltaram amigos, mas aqueles momentos que passei sozinho marcaram-me para sempre.
Mas é no tempo de menino que mais sonhamos, que mais ingénuos somos, que mais nos rimos. Rimo-nos de um abraço dos pais, do arroz-doce da avó e das prendas do avô: um berlinde, um chupa-chupa vermelho com sabor a morango... E dos desenhos animados! Quem não se lembra de se levantar bem cedinho e ficar à espera em frente à televisão do início de emissão, com aquelas listas coloridas em fundo preto?
Sempre que me lembro de tudo isto, pinto um quadro a aguarela na mente com os dedos, esqueço tudo o que me aflige e sou feliz.
Ter sido criança, de facto, foi uma das melhores coisas que me aconteceu na vida.
Segunda-feira, Novembro 07, 2005
Cartas de Amor
Não tinhas coragem de me dizer nos olhos, não tens coragem de me olhar nos olhos e de dizer aquilo que escreveste. Custa-me, custa-me perceber que cometi o erro de te sorrir com inocência e sinceridade, que cometi o erro de te abraçar com o olhar e com as palavras. Erro após erro, fui construíndo uma história feita de pequenas histórias de finais tristes, onde tu és personagem, e onde o herói nunca é herói... porque fui bom, carinhoso, porque me preocupo...
Sabes que vou para a cama sem sono? Sabes que choro e derramo lágrimas na minha almofada? Sabes que dói como se não ouvesse um amanhã?
A que me agarro eu? A um sonho que já nem sonhado pode ser? A uma ilusão que me magoa todos os dias... com que fico eu? Comigo? Com alguém que não aguenta ficar sozinho e a quem a palavra rejeição é um pesadelo impossível de suportar?
Será que tens a sensibilidade de te rever neste texto? Terás tu, que nada tens a ver comigo ou com o que sinto, a sensibilidade para perceberes o que me aflige? Terás tu quem eu quero perto de mim, a sensibilidade de me acarinhares? Desta vez preciso de mais, desta vez o teu silêncio não basta... desta vez necessito do teu calor.
Mas não! Não me vais afectar desta maneira! A que me agarro eu, perguntas tu? À vida, a cada dia, um após o outro e um de cada vez... À sabedoria e força de ultrapassar a dor, a perda de um sonho. Serei vitorioso cada vez que mais um dia acaba em que tentei sorrir... Porque viver é tentar a cada dia espantar as tristezas e sorrir, não só para os outros, mas principalmente para nós mesmos.
Não te guardo raiva, mas a tua carta arde na fogueira...
Domingo, Setembro 11, 2005
Ausência
Mas não me esqueço... A ausência não é o entorpecimento da memória.
Terça-feira, Setembro 06, 2005
O Equilíbrio
Sexta-feira, Julho 29, 2005
Espelho
O meu problema foi esquecer-te. Tentava não pensar em ti sempre e a toda a hora. Era a única maneira. Queria ser capaz de te mandar embora facilmente. Precisava de ti. Tu sustentavas-me na tua maldade inocente. Inocente porque não tinhas noção do mal que me causavas. E quando to tentava explicar, tu justificavas com um 'mas tu gostas'.
Aproximei-me de ti. Tu fingias que não sabias, mas no fundo foi sempre assim. As palavras em nós morreram. As palavras não são eternas. Tentaste um beijo e com ele a vontade de viver. Mas de mim, tentaste mas não conseguiste, arrancar-me uma última palavra.
Agora, revejo-me no espelho, como alma única, e não te vendo, sei que por fim te esqueci.
Quinta-feira, Julho 28, 2005
Sonhos
Sei também que não há lobos maus, demónios debaixo da cama, bruxas velhas e más, fantasmas e gargalhadas sinistras.
Eu sei que o tempo não existe e o espaço não muda.
Sei que as histórias que contavas não passavam de anestesia para dormir. Pegavas em mim, frágil e ansioso por saber e levavas-me a viajar pelo universo profundo. Manipulavas os meus sonhos e moldavas a minha mente e fazias-me esquecer tudo.
Eu sei que era assim, e que as saudades ficam do tempo em que eu adormecia trocando todos os sentidos, comendo com os olhos, saboreando com as mãos e vendo com o coração. Sinto saudades de parar toda a a roda infinita das imagens reais, e de deixar-me cair sobre a nuvem dos sonhos-cor-de-arco-íris. Saudades de evitar as palavras e de fazer da vida uma metáfora de histórias na minha cabeça.
O Vazio
A noite custa-me a passar. Penso em não pensar em ti, mas a tua imagem persegue-me nos sonhos acordados que revivo vezes sem conta. A noite não passa e o nascer do dia não chega mais. Sou invadido por sentimentos contraditórios. Penso em desistir. Penso em avançar. Quando finalmente adormeço, sinto-me a acordar poucos minutos depois. Mas o dia já acordou também, e a escuridão deu lugar a um azul cinzento. Chove lá fora e fico gelado cá dentro. Com frio e medo de tudo o que há-de vir, imito um encontro improvisado, faço de mim e de ti, ensaio perguntas e respostas e sinto-me preparado e não confiante, feliz e com medo.
O tempo teima em passar devagar. Sinto-me desconcentrado e o dia rendeu muito pouco. Não pensei em nada e pensei em tudo. Levanto-me da cadeira cada dez minutos e passeio pelos corredores, reconstruindo as frases feitas anteriormente. Sobressalto-me com o toque do telefone, com o barulho do lápis no papel, com o barulho do silêncio. Finalmente terminaram os ciclos de dez minutos, e saí porta fora, para a claridade branca que quase me cegou. As pessoas olham para mim, todos olham para mim. Sinto um peso enorme nos ombros e não conheço ninguém, não vejo ninguém.
Corro as escadas duas a duas em direcção a casa. Espero uma pista, um indício teu. Anseio secretamente que tenhas de cancelar o convite por uma razão qualquer, não importa qual. Abro a torneira de água quente e encho a banheira. Mergulho na água tépida o corpo que pedia por um banho de sais e cheiros e dúvidas e medos e prazeres escondidos. Ofereci-me dez minutos de imersão, que me acalmaram a alma e calaram, se bem que temporariamente, as minhas dúvidas.
Visto-me depressa, a hora aproxima-se. Ponho algumas gotas daquele perfume que sempre disseste que gostavas. Olho para o espelho antes de sair. Componho as calças e a camisa e sorrio.
Pego no carro e paro à tua porta. Convido-te a descer. Assim que te sentas no banco esqueço todas as frases ensaiadas na loucura e dou-te um beijo. Simples e fugidio mas, como sempre, a deixar marcas profundas. Nada mais interessa. Conversamos os dois, eu de boca fechada e tu com a conversa toda nesses lábios que amo e desespero. E ficaria assim para sempre, saboreando o pedaço de ti que deixas cravado no meu ser.
O melhor amor é louco... tão mais amor quanto mais louco... e o que é o vazio senão nós mesmos?
Eu e os outros
Os sonhos são estranhos e não duram mais que cinco minutos quando entro na realidade.
Passeio na rua apesar do calor que se faz sentir. Caminho em direcção à paragem de autocarro que vejo todos os dias à minha porta. Agora é um banco de jardim. De certeza mudaram-no enquanto dormia. Fecho os olhos e tento lembrar-me do sonho desta noite. Entro na camioneta. Pago ao condutor com uma pedaço de sonho, ele imita um sorriso, fecha as portas, e parte levando com ele o tempo.
O ar é feito de água fresca, e a própria água evapora-se do meu corpo de maneira diferente das pessoas que se cruzam comigo, subindo as ruas com flores nas mãos.
Ninguém fala, os carros não fazem barulho nem fumo, os bebés não choram, os telefones não tocam.
Está demasiado calor para passear, mas as pessoas passeiam na estrada e matam o tempo. Algumas sentam-se no banco de jardim e esperam também o tempo, até que o autocarro chegue um dia.
Quarta-feira, Julho 27, 2005
Escrevo
Escrevo... e o meu silêncio hoje não é branco, é negro, e com ele pinto as letras uma a uma, junto-as, e as palavras que deixo na folha são o reflexo incessante da minha alma.
Fico à espera que me leias por dentro, que me rasgues e me descubras. Fujo do amanhã. E tenho medo. Um medo enorme do abismo que me sorri lá no fundo, que me atrai. Fico à espera que as minhas palavras te procurem e te encontrem.
Domingo, Julho 10, 2005
A Partida
Olho para trás e penso em todos o momentos especiais que partilhámos juntos, e a tristeza não tarda a inundar-me a face.
Quando me olhas não consigo ver o presente, apenas o futuro. Quando sorris, esqueço tudo e só penso na saudade que vou ter. Quando me falas, só penso que não volto a ouvir a tua voz.
E um egoísmo imenso cresce dentro de mim, corrói-me a alma, destrói-me o espírito. Egoísmo de te querer só para mim, de querer que o espaço não nos separe, de querer que o tempo pare e que fiquemos para sempre os dois amantes eternos.
Mas sei também que é um mal necessário. Que mesmo que ficasse as coisas nem sempre são como queremos. Sei que um dia poderei voltar, diferente sem dúvida, mas na esperança de que possamos voltar a ser, de novo, unos...
Sábado, Julho 09, 2005
Saudade
Olho para trás e lembro-me de ti. Recordo.
Juntos a olhar as nuvens do céu, de barriga para o ar, falamos de banalidades e felizes acasos. Tu levantas-te de um rasgo, pegas-me na mão e dizes: "Vem, vamos conhecer o mundo". E eu vou, e estou contente, porque todo o meu mundo é o teu, e todos os meus sonhos te pertencem. Voamos longe, tu de mãos dadas comigo e eu de esperança dada contigo. Pegas nas palavras e sussurras-me ao ouvido. Belas! Que fiquem assim para sempre. Olhas-me nos olhos e sei que não me vou perder na escuridão, pois eles me iluminam o caminho. Mostras-me o teu mundo, agora nosso, e exploramos todos os seus recantos. Partilhamos um êxtase brilhante, de corpos unidos e corações síncronos, a bater depressa. Levas-me ao infinito e mais tarde voltamos os dois, satisfeitos, e descansamos...
Recordo porque agora não estás comigo, e a saudade aperta-me o peito e o meu coração chora um choro silencioso e dorido. E há uma vontade que perdura; a vontade de querer saber onde está o amor escondido e que hoje me faz sofrer. Mas digo ao coração: "Aguenta! que a tormenta um dia há de passar". E a saudade não é mar, tem fim, é como a onda que chega à praia e morre na areia. Só espero que não tarde...
Sexta-feira, Julho 08, 2005
Acredito
Pego na corda que nos une e aperto mais um pouco. Pego no que está para além e trago-o comigo. Pego em ti e desenho-te com palavras. Pego no sonho e tranformo-o em realidade...
Alcanço-te. És minha. Não estás longe. Estás perto e comigo...
Acredito...
Esperança não é a última a morrer
Relembro os dias que passámos os dois, cheios de ideias na cabeça, com um rumo a seguir. Quando tricotávamos a manta de retalhos dos sonhos, com lã azul e laranja, verde e amarela, cor de arco-íris e pensávamos juntos os dois no futuro. Como ia ser belo, como tudo seria melhor, mais brilhante, menos sofucante. Estávamos os dois de mãos dadas e de olhos postos num presente que havia de chegar, mais cedo ou mais tarde. E eu gostava, e estava feliz na minha ignorância.
E tu Vida, que vieste e me levas agora a minha Esperança. Que me roubas a única razão de viver. Que me roubas os sonhos. Que me tiras os olhos do futuro e me fazes olhar apenas para o presente e passado. Tu! Assassina! Porque tens de ser tão cruel? Esse contrato que fiz contigo não te dá o direito de me levares Esperança. Tu não me mereces Vida, eu sou bom demais, e eu não te mereço, tu és má demais.
Relembro estarmos os dois à beira-mar, a ouvir o som das ondas e o cheiro a maresia. Deixávamos pegadas na areia molhada e corríamos de mão dadas praia fora. Não tínhamos razão para estar descontentes, até pelo contrário. E quando ao final da tarde nos sentávamos os dois juntos a olhar o mar de azuis profundos, tão intensos, ele entrava pelos olhos sem pudor e nos deixava quase inertes sobre a areia, como amantes na ressaca do amor.
15-2, 15-2, 15-2, ..., a ajuda não chega, e eu estou tentado a deixar-te partir, como mais uma vítima nas teias da Vida. As forças faltam-me e só desejo que tudo acabe rapidamente. Mas não consigo. Não, sou demasiado fraco para me render. Desmaio de cansaço.
Esperança morreu...
