Esperança não é a última a morrer
Esperança jaz caída no chão. Corro a salvá-la. Mais uma vítima de atropelamento de Vida de certeza. Mas Esperança não respira, o coração não bate. Peço ajuda. Mas ninguém me acode, estou só com Esperança. Inicio as manobras de segurança ensinadas há muito: 15-2, 15-2, 15-2, ..., quantos já passaram? Esperança não reage...
Relembro os dias que passámos os dois, cheios de ideias na cabeça, com um rumo a seguir. Quando tricotávamos a manta de retalhos dos sonhos, com lã azul e laranja, verde e amarela, cor de arco-íris e pensávamos juntos os dois no futuro. Como ia ser belo, como tudo seria melhor, mais brilhante, menos sofucante. Estávamos os dois de mãos dadas e de olhos postos num presente que havia de chegar, mais cedo ou mais tarde. E eu gostava, e estava feliz na minha ignorância.
E tu Vida, que vieste e me levas agora a minha Esperança. Que me roubas a única razão de viver. Que me roubas os sonhos. Que me tiras os olhos do futuro e me fazes olhar apenas para o presente e passado. Tu! Assassina! Porque tens de ser tão cruel? Esse contrato que fiz contigo não te dá o direito de me levares Esperança. Tu não me mereces Vida, eu sou bom demais, e eu não te mereço, tu és má demais.
Relembro estarmos os dois à beira-mar, a ouvir o som das ondas e o cheiro a maresia. Deixávamos pegadas na areia molhada e corríamos de mão dadas praia fora. Não tínhamos razão para estar descontentes, até pelo contrário. E quando ao final da tarde nos sentávamos os dois juntos a olhar o mar de azuis profundos, tão intensos, ele entrava pelos olhos sem pudor e nos deixava quase inertes sobre a areia, como amantes na ressaca do amor.
15-2, 15-2, 15-2, ..., a ajuda não chega, e eu estou tentado a deixar-te partir, como mais uma vítima nas teias da Vida. As forças faltam-me e só desejo que tudo acabe rapidamente. Mas não consigo. Não, sou demasiado fraco para me render. Desmaio de cansaço.
Esperança morreu...
Relembro os dias que passámos os dois, cheios de ideias na cabeça, com um rumo a seguir. Quando tricotávamos a manta de retalhos dos sonhos, com lã azul e laranja, verde e amarela, cor de arco-íris e pensávamos juntos os dois no futuro. Como ia ser belo, como tudo seria melhor, mais brilhante, menos sofucante. Estávamos os dois de mãos dadas e de olhos postos num presente que havia de chegar, mais cedo ou mais tarde. E eu gostava, e estava feliz na minha ignorância.
E tu Vida, que vieste e me levas agora a minha Esperança. Que me roubas a única razão de viver. Que me roubas os sonhos. Que me tiras os olhos do futuro e me fazes olhar apenas para o presente e passado. Tu! Assassina! Porque tens de ser tão cruel? Esse contrato que fiz contigo não te dá o direito de me levares Esperança. Tu não me mereces Vida, eu sou bom demais, e eu não te mereço, tu és má demais.
Relembro estarmos os dois à beira-mar, a ouvir o som das ondas e o cheiro a maresia. Deixávamos pegadas na areia molhada e corríamos de mão dadas praia fora. Não tínhamos razão para estar descontentes, até pelo contrário. E quando ao final da tarde nos sentávamos os dois juntos a olhar o mar de azuis profundos, tão intensos, ele entrava pelos olhos sem pudor e nos deixava quase inertes sobre a areia, como amantes na ressaca do amor.
15-2, 15-2, 15-2, ..., a ajuda não chega, e eu estou tentado a deixar-te partir, como mais uma vítima nas teias da Vida. As forças faltam-me e só desejo que tudo acabe rapidamente. Mas não consigo. Não, sou demasiado fraco para me render. Desmaio de cansaço.
Esperança morreu...

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