quinta-feira, julho 28, 2005

Eu e os outros

Acordo de repente. A minha cama jaz estática. Escrevo à pressa um sonho que teima em apagar-se da mente.

Os sonhos são estranhos e não duram mais que cinco minutos quando entro na realidade.

Passeio na rua apesar do calor que se faz sentir. Caminho em direcção à paragem de autocarro que vejo todos os dias à minha porta. Agora é um banco de jardim. De certeza mudaram-no enquanto dormia. Fecho os olhos e tento lembrar-me do sonho desta noite. Entro na camioneta. Pago ao condutor com uma pedaço de sonho, ele imita um sorriso, fecha as portas, e parte levando com ele o tempo.

O ar é feito de água fresca, e a própria água evapora-se do meu corpo de maneira diferente das pessoas que se cruzam comigo, subindo as ruas com flores nas mãos.

Ninguém fala, os carros não fazem barulho nem fumo, os bebés não choram, os telefones não tocam.

Está demasiado calor para passear, mas as pessoas passeiam na estrada e matam o tempo. Algumas sentam-se no banco de jardim e esperam também o tempo, até que o autocarro chegue um dia.