domingo, setembro 11, 2005

Ausência

Há alturas em que nada importa, em que tudo é reduzido à sua desprezível insignificância. Também tu deves ter alturas como estas. Em que há pessoas que estão longe, mas que é como se estivessem ao nosso lado. E não digo isto só por dizer. É a verdade. É como se lá no fundo sentisse o estranho poder das coisas, mesmo quando parece que já as esquecemos. E são essas coisas que nos fazem distinguir aquilo que não desgostamos, do que realmente queremos. O meu problema não é que as coisas não me interessem, mas muitas vezes não as entendo - tal como escrever. Escrevo porque quero ou porque simplesmente me lembrei. Não precisa de fazer sentido, apenas porque é uma fuga à realidade que por vezes choca. As coisas que nos são queridas ficam na memória e marcam, mesmo quando caem na ausência. E se às vezes há umas que correm menos bem, paciência! As coisas vão e vêm, o tempo anda para a frente, não para trás. Uns passeiam-se, outros fazem contas, e outros vivem.
Mas não me esqueço... A ausência não é o entorpecimento da memória.

terça-feira, setembro 06, 2005

O Equilíbrio

Flutuam pedaços de nuvem na minha cabeça. Penso no que passou e a memória cai sobre mim como uma neblina fria e triste. Mas guardo as recordações lá no fundo e tento não pensar em mais nada. O futuro é incerto, e o passado carrega dor e é cinzento escuro. A memória, mesmo das coisas mais terriveis, é um elemento activo, enquanto que a imaginação apenas contribui para a desesperação ou a sonolência do desespero. Tento então encontrar uma maneira de equilibrar os pratos da balança. Um lado não pode pesar mais que outro...