sexta-feira, janeiro 20, 2006

Mãos Frias, Coração Dormente

Enrolo-me mais um pouco na manta de lã grossa e colorida, saboreando o calor que vem da lareira acesa ao canto da sala. Apesar das camadas de roupa que trago vestidas tenho as mão frias e o coração teima em não aquecer, constantemente rodeado de um gelo constante e permanente. O calor que me chega das chamas vivas e vermelhas não chega sequer para me libertar destre espectro do inverno perpétuo que me arrefece até a alma. Mergulho numa tristeza profunda, que se instala no meu pensamento, e que insiste em ficar. Uma lembrança de ti, o teu sorriso glacial, as tuas palavras longínquas e distantes, até a brancura alva do teu rosto vagueiam como fragmentos perdidos dos meus sonhos e desejos. Penso no que ficou por dizer, em tudo quilo que queria deitar cá para fora e não consegui, ou naquilo que tu não quiseste ouvir, e cada vez mais, cada vez mais reparo que existe entre nós um imenso espaço vazio, imerso num frio sideral e na escuridão profunda. O arco-íris que brilha nos teus olhos, ou os reflexos dourados do teu cabelo, esses não chegam para encurtar essa distância tão grande. Porque neva cá dentro se lá fora o sol brilha com tanta intensidade? Como pode o Inverno ter chegado, se quando estamos juntos é sempre Primavera, e as flores sorriem amarelo, vermelho e azul?

Peço-te, não apague a chama que brilha em ti e me aquece as mãos, o coração e a alma...

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Pessoas como Tu

Há pessoas que nos fazem sentir bem. Como se todo o seu corpo, a sua alma, ou aquilo que faz delas o que são, se oferecesse em harmonia e tivesse estado, desde sempre, à nossa inteira disposição. Estão lá quando precisamos; estão lá nos momentos mais angustiantes, mais complicados, mais exigentes, mais duros, mais assustadores, mais desafiantes. E conseguem-no com a maior das facilidades. Não falo de um pouco mais ou menos, ou de um assim assim. Conseguem fazê-lo, e muito bem por sinal, com uma tal espontâneidade e presença que não são deste mundo. E não há palavras de agradecimento perante tal gesto grandioso, doce e genuíno.

Há coisas que nunca poderei pôr em palavras, e por muito que diga ou escreva, há sempre coisas que permanecerão sempre dentro de ti e de mim. Que viverão em nós, no toque das nossas mãos, no calor dos nossos beijos, no aconchego do nosso abraço, quando encontro os teus olhos e tu os meus e o tempo pára ali, e só tu e eu existimos no mundo e pouco ou nada mais importa. Há coisas que viverão em nós, nas saudades que apertam no peito, apenas o suficiente, para lembrar que estão lá e que seria um pecado enorme esquecermo-nos delas sem saciar a fome e a sede dos reencontros. Há estes sopros no coração, suspiros apertados que nos rasgam sorrisos nos lábios como se há muito tempo não tivessem sido usados, que nos impelem a estarmos juntos, a comunicar, a enveredar por um caminho proibido e sem retorno.

Mas estás comigo, e eu estou bem.