sexta-feira, janeiro 20, 2006

Mãos Frias, Coração Dormente

Enrolo-me mais um pouco na manta de lã grossa e colorida, saboreando o calor que vem da lareira acesa ao canto da sala. Apesar das camadas de roupa que trago vestidas tenho as mão frias e o coração teima em não aquecer, constantemente rodeado de um gelo constante e permanente. O calor que me chega das chamas vivas e vermelhas não chega sequer para me libertar destre espectro do inverno perpétuo que me arrefece até a alma. Mergulho numa tristeza profunda, que se instala no meu pensamento, e que insiste em ficar. Uma lembrança de ti, o teu sorriso glacial, as tuas palavras longínquas e distantes, até a brancura alva do teu rosto vagueiam como fragmentos perdidos dos meus sonhos e desejos. Penso no que ficou por dizer, em tudo quilo que queria deitar cá para fora e não consegui, ou naquilo que tu não quiseste ouvir, e cada vez mais, cada vez mais reparo que existe entre nós um imenso espaço vazio, imerso num frio sideral e na escuridão profunda. O arco-íris que brilha nos teus olhos, ou os reflexos dourados do teu cabelo, esses não chegam para encurtar essa distância tão grande. Porque neva cá dentro se lá fora o sol brilha com tanta intensidade? Como pode o Inverno ter chegado, se quando estamos juntos é sempre Primavera, e as flores sorriem amarelo, vermelho e azul?

Peço-te, não apague a chama que brilha em ti e me aquece as mãos, o coração e a alma...