domingo, dezembro 11, 2005

Sonhos de Criança

Às vezes limito-me a tentar escrever textos que tenham o brilho de um sorriso, o calor de um abraço, aquela sensação de conforto depois de um carinho de mão quando nos magoamos a brincar. Às vezes proponho-me, entre momentos de angústia e desespero, a relembrar os tempos idos de criança, quando corria atrás de bichos-de-conta e construía castelos de lego. Acho que a minha imaginação vem daí, de brincar aos agricultores, de sentir o cheiro da terra molhada, de subir às árvores e brincar no jardim, de inventar mil e uma coisas diferentes para fazer.

Agora que penso, lembro-me de tantas brincadeiras feitas na companhia da solidão, das conversas comigo mesmo, aprender a brincar sozinho, fazer o bom e o mau. Grande parte da minha personalidade vem daí, criei sonhos, criei carências. É claro que nunca me faltaram amigos, mas aqueles momentos que passei sozinho marcaram-me para sempre.

Mas é no tempo de menino que mais sonhamos, que mais ingénuos somos, que mais nos rimos. Rimo-nos de um abraço dos pais, do arroz-doce da avó e das prendas do avô: um berlinde, um chupa-chupa vermelho com sabor a morango... E dos desenhos animados! Quem não se lembra de se levantar bem cedinho e ficar à espera em frente à televisão do início de emissão, com aquelas listas coloridas em fundo preto?

Sempre que me lembro de tudo isto, pinto um quadro a aguarela na mente com os dedos, esqueço tudo o que me aflige e sou feliz.

Ter sido criança, de facto, foi uma das melhores coisas que me aconteceu na vida.