O Vazio
'Sim, amanhã estaremos juntos'. As tuas palavras provocam em mim um remoinho de felicidade. Tremo de excitação na antecipada expectativa de te voltar a ter nos meus braços. Na minha imaginação criam-se quadros coloridos, pintados de sorrisos brilhantes e de um cheiro a azul e a mar. Sussurro uma meia resposta 'Ainda bem'.
A noite custa-me a passar. Penso em não pensar em ti, mas a tua imagem persegue-me nos sonhos acordados que revivo vezes sem conta. A noite não passa e o nascer do dia não chega mais. Sou invadido por sentimentos contraditórios. Penso em desistir. Penso em avançar. Quando finalmente adormeço, sinto-me a acordar poucos minutos depois. Mas o dia já acordou também, e a escuridão deu lugar a um azul cinzento. Chove lá fora e fico gelado cá dentro. Com frio e medo de tudo o que há-de vir, imito um encontro improvisado, faço de mim e de ti, ensaio perguntas e respostas e sinto-me preparado e não confiante, feliz e com medo.
O tempo teima em passar devagar. Sinto-me desconcentrado e o dia rendeu muito pouco. Não pensei em nada e pensei em tudo. Levanto-me da cadeira cada dez minutos e passeio pelos corredores, reconstruindo as frases feitas anteriormente. Sobressalto-me com o toque do telefone, com o barulho do lápis no papel, com o barulho do silêncio. Finalmente terminaram os ciclos de dez minutos, e saí porta fora, para a claridade branca que quase me cegou. As pessoas olham para mim, todos olham para mim. Sinto um peso enorme nos ombros e não conheço ninguém, não vejo ninguém.
Corro as escadas duas a duas em direcção a casa. Espero uma pista, um indício teu. Anseio secretamente que tenhas de cancelar o convite por uma razão qualquer, não importa qual. Abro a torneira de água quente e encho a banheira. Mergulho na água tépida o corpo que pedia por um banho de sais e cheiros e dúvidas e medos e prazeres escondidos. Ofereci-me dez minutos de imersão, que me acalmaram a alma e calaram, se bem que temporariamente, as minhas dúvidas.
Visto-me depressa, a hora aproxima-se. Ponho algumas gotas daquele perfume que sempre disseste que gostavas. Olho para o espelho antes de sair. Componho as calças e a camisa e sorrio.
Pego no carro e paro à tua porta. Convido-te a descer. Assim que te sentas no banco esqueço todas as frases ensaiadas na loucura e dou-te um beijo. Simples e fugidio mas, como sempre, a deixar marcas profundas. Nada mais interessa. Conversamos os dois, eu de boca fechada e tu com a conversa toda nesses lábios que amo e desespero. E ficaria assim para sempre, saboreando o pedaço de ti que deixas cravado no meu ser.
O melhor amor é louco... tão mais amor quanto mais louco... e o que é o vazio senão nós mesmos?
A noite custa-me a passar. Penso em não pensar em ti, mas a tua imagem persegue-me nos sonhos acordados que revivo vezes sem conta. A noite não passa e o nascer do dia não chega mais. Sou invadido por sentimentos contraditórios. Penso em desistir. Penso em avançar. Quando finalmente adormeço, sinto-me a acordar poucos minutos depois. Mas o dia já acordou também, e a escuridão deu lugar a um azul cinzento. Chove lá fora e fico gelado cá dentro. Com frio e medo de tudo o que há-de vir, imito um encontro improvisado, faço de mim e de ti, ensaio perguntas e respostas e sinto-me preparado e não confiante, feliz e com medo.
O tempo teima em passar devagar. Sinto-me desconcentrado e o dia rendeu muito pouco. Não pensei em nada e pensei em tudo. Levanto-me da cadeira cada dez minutos e passeio pelos corredores, reconstruindo as frases feitas anteriormente. Sobressalto-me com o toque do telefone, com o barulho do lápis no papel, com o barulho do silêncio. Finalmente terminaram os ciclos de dez minutos, e saí porta fora, para a claridade branca que quase me cegou. As pessoas olham para mim, todos olham para mim. Sinto um peso enorme nos ombros e não conheço ninguém, não vejo ninguém.
Corro as escadas duas a duas em direcção a casa. Espero uma pista, um indício teu. Anseio secretamente que tenhas de cancelar o convite por uma razão qualquer, não importa qual. Abro a torneira de água quente e encho a banheira. Mergulho na água tépida o corpo que pedia por um banho de sais e cheiros e dúvidas e medos e prazeres escondidos. Ofereci-me dez minutos de imersão, que me acalmaram a alma e calaram, se bem que temporariamente, as minhas dúvidas.
Visto-me depressa, a hora aproxima-se. Ponho algumas gotas daquele perfume que sempre disseste que gostavas. Olho para o espelho antes de sair. Componho as calças e a camisa e sorrio.
Pego no carro e paro à tua porta. Convido-te a descer. Assim que te sentas no banco esqueço todas as frases ensaiadas na loucura e dou-te um beijo. Simples e fugidio mas, como sempre, a deixar marcas profundas. Nada mais interessa. Conversamos os dois, eu de boca fechada e tu com a conversa toda nesses lábios que amo e desespero. E ficaria assim para sempre, saboreando o pedaço de ti que deixas cravado no meu ser.
O melhor amor é louco... tão mais amor quanto mais louco... e o que é o vazio senão nós mesmos?

0 Ideias:
Enviar um comentário
<< Home